sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

"DIÁLOGO ABERTO", uma abordagem alternativa finlandesa para a cura da ps...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Reflexão!

Em um dia de estudo sobre relacionamentos...

"Uma mulher que se acha melhor que sua mãe não tem respeito pelos homens, não os entende e, em princípio, não precisa deles. Porque se ela achar que é melhor que a sua mãe, isso geralmente significa: eu sou uma mulher melhor para o meu pai. Então ela já tem o seu homem e não precisa de nenhum outro.
Como uma menina torna-se capaz de ser uma mulher e de ter e respeitar um outro homem? Colocando-se ao lado de sua mãe como a menor.

Isso naturalmente também vale para os homens no sentido contrário: um homem que não respeita o seu pai e acha que para a sua mãe é melhor que o pai, não tem respeito pelas mulheres. Já tem uma mulher e não precisa de outra. Como ele se torna capaz de ser um homem e de ter uma outra mulher e respeitá-la? Posicionando-se do lado do seu pai como o menor.

Portanto, o homem aprende a respeitar a mulher com o pai, e a mulher aprende a respeitar um homem com a mãe." 

Bert Hellinger

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexão!


"Estamos vivendo um momento desafiador no Brasil. Na verdade creio que a onda que está revolvendo nossas entranhas é global.
A sombra veio à tona. O escondido está sendo revelado, e isso não se refere apenas à situação político-econômico-social, mas a cada um de nós.
A forma como reagimos a esse momento revela também nossas sombras. Isso não é ruim. Só podemos limpar a sujeira que enxergamos.
Mas ouça. Enquanto nos ocupamos em apontar a escuridão lá fora, nos outros, na política, naqueles que atacamos por pensarem diferente de nós, deixamos de agir e transformar o que nos cabe.
Nós mesmos.
Pense que cada um de nós tem dons e habilidades que servem ao todo. Uns tem uma mente clara e ótimas ideias, outros são ágeis em encontrar soluções criativas. Uns sabem usar agulhas para curar, outros têm o dom da oratória. Uns amam estar em grupo e iniciar movimentos que se expandam, outros preferem ficar no jardim cuidando de uma única sementinha.
O momento requer que cada um de nós descubra seu dom e o coloque a serviço do todo.
Existe algo que só você tem a dar, entende?
Precisamos evitar a armadilha de sermos sugados por essa ilusão coletiva que diz que o nosso destino está nas mãos de alguém, que não nós próprios.
Enquanto ficamos aguilhoados pela revolta, reclamando, atacando uns aos outros, alimentando essa onda que causa angústia e medo, deixamos de fazer a única coisa que poderia ser verdadeiramente revolucionária.
Existir.
Ser a luz que somos.
Não importa a sombra que nos rodeie, estamos aqui para manifestar nossa luz. Uma única vela acesa rompe a escuridão.
Se você for alguém influente na política, seja luz. Se você for influente na educação, seja luz na educação. Se for dono de um quiosque na praia, coloque amor ao preparar os sanduiches.
Onde quer que esteja, faça o seu melhor.
Pare de desperdiçar sua energia julgando, polarizando, atacando. Isso não resolve. Apenas aprofunda esse véu de separatividade e cega a todos nós.
Essa é a última tentativa da sombra de nos afastar de nós mesmos.
Temos um poder imenso e tudo pode se transformar se formos sábios e corajosos para fazer a única coisa que nos cabe.
Não se deixe iludir pelo que vê à sua volta. Respire. Faça o seu melhor. Vibre a luz que você é.
E confie!
Estamos a caminho!👣"

"Almas são como velas acendem-se umas nas outras"

quarta-feira, 4 de abril de 2018

“Vá aos encontros felizes”

“Vá aos encontros felizes”

Recentemente participei da formatura de uma prima, numa quarta-feira, distante 300km da minha casa. Peguei o carro e fui. Sozinha, eu e minhas músicas.  Encontrei primos que não via há anos, abracei a tia que aos 96 ainda sabe quem eu sou, comemorei, sorri e chorei (de alegria). Me esforcei para estar presente. E como valeu a pena!

“Vá aos encontros felizes”, eu sempre penso. Pode ser complicado, difícil, caro. Pode ser uma viagem longa (ou até pode ser ali do lado mas bate aquela vontade de sofá). “Vá!” Tem festa de 80 anos da tia? “Vá!” Aniversário do filho dos amigos? “Vá!” Encontro de 20 anos da sua formatura? “Vá!” Amigo secreto das amigas de infância, casamento do primo, show da sua banda preferida? “Vá!” Pega o carro, o ônibus, o avião... pega carona! Fica no hotel, na tia, agora tem airbnb! Parcela a passagem, combina com a sócia uns dias de folga, dá um jeito! Sabe porque? Porque nos encontros tristes você irá. Quando alguém morre todos vão. Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor). As pessoas vão, se esforçam. Pedem folga no trabalho, deixam as crianças com a avó, levam as crianças, cancelam a reunião, transferem as entregas. E todos se reunem e se abraçam e choram juntos. E é bonito isso. E é bom que seja assim. Mas é bom que seja assim também, e, principalmente, nos momentos felizes. É bom estar junto nas comemorações, nas conquistas, nas festas que brindam a vida! Dando risada com os amigos, relembrando as histórias de família, deixando-se levar pela alegria despretensiosa dos momentos bons. Penso que assim vamos juntando as peças na melhor coleção que a vida tem a oferecer: a dos encontros felizes!

“Vamos?”

(autor desconhecido)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Posicionamento da WPA sobre Espiritualidade e Religiosidade em Psiquiatria

Foi publicado no site da  ABP - Assoc. Bras. de Psiquiatria, a versão em português do "Posicionamento da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) sobre Espiritualidade e Religiosidade em Psiquiatria". Recomenda diretrizes para a adequada inclusão da religiosidade/espiritualidade  na psiquiatria: na pesquisa, ensino e prática clínica.
www.abp.org.br/portal/posicionamento-da-wpa-sobre-espiritualidade-e-religiosidade-em-psiquiatria/

Posicionamento da WPA sobre Espiritualidade e Religiosidade em Psiquiatria

PUBLICADO EM 26 DE FEVEREIRO DE 2018

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Posicionamento da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) sobre Espiritualidade e Religiosidade em Psiquiatria

Seção de Religião, Espiritualidade e Psiquiatria da WPA

A Associação Mundial de Psiquiatria (WPA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalham arduamente para garantir que a promoção e os cuidados em saúde mental sejam baseados cientificamente e, ao mesmo tempo, compassivos e com sensibilidade cultural1,2. Nas últimas décadas, tem havido uma crescente conscientização da academia e da população geral sobre a relevância da religião e da espiritualidade nas questões de saúde. Revisões sistemáticas da literatura científica identificaram mais de 3.000 estudos empíricos investigando as relações entre religião / espiritualidade (R/E) e saúde3,4.

No campo dos transtornos mentais, demonstrou-se que R/E têm implicações significativas para prevalência (especialmente em transtornos depressivos e por uso de substâncias), diagnóstico (ex.: diferenciação entre experiências espirituais e transtornos mentais), tratamento (ex.: comportamento de busca de tratamento, aderência, mindfulness, terapias complementares), desfechos clínicos (ex.: melhora clínica, e suicídio ) e prevenção, bem como para a qualidade de vida e bem-estar3,4. A OMS já inclui R/E como uma dimensão da qualidade de vida5. Embora haja evidências mostrando que R/E estão geralmente associadas a melhores desfechos de saúde, elas podem também causar danos (ex.: recusa de tratamento, intolerância, coping religioso negativo, etc.). Pesquisas mostraram que valores, crenças e práticas relativas a R/E se mantêm relevantes para a maior parte da população mundial e que pacientes gostariam de ter suas questões em R/E abordadas nos cuidados em saúde6-8.

Psiquiatras precisam levar em conta todos os fatores que afetam a saúde mental. Evidências mostram que R/E devem ser incluídas entre estes, independentemente da orientação espiritual, religiosa ou filosófica dos psiquiatras. No entanto, poucas escolas médicas ou currículos de especialidade fornecem qualquer treinamento formal para psiquiatras aprenderem sobre a evidência disponível ou como abordar adequadamente a R/E tanto na pesquisa quanto na prática clínica7,9.

Para preencher esta lacuna, a WPA e várias outras associações nacionais de psiquiatria (ex.: Brasil, Índia, África do Sul, Reino Unido e EUA) criaram seções em R/E. A WPA incluiu “religião e espiritualidade” como parte do “Curriculum Básico de Treinamento em Psiquiatria”10.

Ambos termos, religião e espiritualidade, carecem de uma definição universalmente aceita. Definições de espiritualidade geralmente se referem a uma dimensão da experiência humana relacionada com o transcendente, o sagrado, ou a realidade última. Espiritualidade está intimamente relacionada com os valores, o significado e o propósito de vida. Espiritualidade pode se desenvolver individualmente ou em comunidades e tradições. Religião é frequentemente vista como o aspecto institucional da espiritualidade, geralmente definida mais em termos de sistemas de crenças e práticas relacionadas com o sagrado ou divino, realizada por uma comunidade ou grupo social3,8.

Independentemente de definições precisas, a espiritualidade e a religião lidam com as crenças fundamentais, valores e experiências dos seres humanos. Portanto, a consideração da sua relevância para as origens, a compreensão e o tratamento dos transtornos psiquiátricos bem como para a atitude do paciente frente à doença deveria estar no centro da psiquiatria acadêmica e clínica. Considerações espirituais e religiosas também têm implicações éticas significativas para a prática clínica da psiquiatria11 . Em particular, a WPA propõe que:

1. Uma consideração cuidadosa das crenças e práticas religiosas dos pacientes, bem como a sua espiritualidade, deveriam ser abordadas rotineiramente sendo, por vezes, um componente essencial da coleta da história psiquiátrica.

2. A compreensão da religião e da espiritualidade e sua relação com o diagnóstico, etiologia e tratamento de transtornos psiquiátricos devem ser consideradas como componentes essenciais tanto da formação psiquiátrica como do contínuo desenvolvimento profissional.

3. Há uma necessidade de mais pesquisas sobre religião e espiritualidade em psiquiatria, especialmente sobre suas aplicações clínicas. Estes estudos devem abranger uma ampla diversidade de contextos culturais e geográficos.

4. A abordagem da religião e da espiritualidade deve ser centrada na pessoa. Psiquiatras não devem usar sua posição profissional para fazer proselitismo de visões de mundo seculares ou espirituais. Psiquiatras devem sempre respeitar e ser sensíveis às crenças e práticas espirituais / religiosas de seus pacientes, das famílias e cuidadores de seus pacientes.

5. Os psiquiatras, sejam quais forem suas crenças pessoais, devem estar dispostos a trabalhar com líderes / membros de comunidades religiosas, capelães e agentes pastorais, bem como outros membros da comunidade, em suporte ao bem-estar de seus pacientes e devem incentivar seus colegas multidisciplinares a fazerem o mesmo.

6. Os psiquiatras devem demonstrar consciência, respeito e sensibilidade para o importante papel que a espiritualidade e religiosidade podem desempenhar para muitos funcionários e voluntários na formação de uma vocação para trabalhar no campo dos cuidados em saúde mental.

7. Os psiquiatras devem estar cientes tanto do potencial benéfico quanto prejudicial das práticas e visões de mundo religiosas, espirituais e seculares e estarem dispostos a compartilhar essas informações de forma crítica e imparcial com a comunidade em geral, em apoio à promoção da saúde e bem-estar.

Alexander Moreira-Almeida1,2, Avdesh Sharma1,3, Bernard Janse van Rensburg1,4, Peter J. Verhagen1,5, Christopher C.H. Cook1,6

1 Seção de Religião, Espiritualidade e Psiquiatria da WPA;

2 NUPES, Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil;

3 ‘Parivartan’ Center for Mental Health, New Delhi, India;

4 Department of Psychiatry, University of the Witwatersrand, Johannesburg, South Africa;

5 GGZ Centraal, Harderwijk, the Netherlands;

6 Department of Theology and Religion, Durham University, Durham, UK.

Agradecimentos
Os autores agradecem a todos que contribuíram durante o processo de elaboração deste Posicionamento, em especial, a D. Bhugra, R. Cloninger, J. Cox, V. De Marinis, J.J. Lopez Ibor (in memoriam), D. Moussaoui, N. Nagy, A. Powell, H.M. van Praag e MF Peres. Este posicionamento se utilizou de partes do texto de recomendações já publicadas no Posicionamento do Royal College of Psychiatrists11. Versão em português traduzida por Mario F. Peres e revisada por Alexander Moreira-Almeida,

Referências
1. Bhugra D. The WPA Action Plan 2014-2017. World Psychiatry 2014; 13:328.

2. Saxena S, Funk M, Chisholm D. WHO’s Mental Health Action Plan 2013-2020: what can psychiatrists do to facilitate its implementation? World Psychiatry 2014; 13:107-9.

3. Koenig H, King D, Carson VB. Handbook of religion and health. 2nd edition. New York: Oxford University Press, 2012.

4. Koenig HG, McCullough ME, Larson DB. Handbook of religion and health. 1st edition. New York: Oxford University Press, 2001.

5. WHOQOL SRPB Group. A cross-cultural study of spirituality, religion, and personal beliefs as components of quality of life. Social Science and Medicine 62:1486-1497, 2006.

6. Pargament KI, Lomax JW. Understanding and addressing religion among people with mental illness. World Psychiatry. 2013; 12(1):26-32.

7. Moreira-Almeida A, Koenig HG, Lucchetti G. Clinical implications of spirituality to mental health: review of evidence and practical guidelines. Rev Bras Psiquiatr. 2014; 36(2):176-82.

8. Verhagen PJ, Van Praag HM, Lopez-Ibor JJ, Cox J, Moussaoui D. (Eds.) Religion and psychiatry: beyond boundaries. Chichester: John Wiley & Sons, 2010.

9. Cloninger CR. What makes people healthy, happy, and fulfilled in the face of current world problems? Mens Sana Monographs 2013; 11:16-24.

10. World Psychiatric Association. Institutional program on the core training curriculum for psychiatry. Yokohama, Japan, August 2002. Available at: www.wpanet.org/uploads/Education/Educational_Programs/Core_Curriculum/corec urriculum-psych-ENG.pdf

11. Cook CCH. Recommendations for psychiatrists on spirituality and religion. Position Statement PS03/2011, London, Royal College of Psychiatrists, 2011. Available (in a later edition) at http://www.rcpsych.ac.uk/pdf/PS03_2013.pdf

Proposto pela seção de Religião, Espiritualidade e Psiquiatria da WPA Aprovado pelo comitê executivo da WPA em 09/2015

Publicado como: Moreira-Almeida A, Sharma A, van Rensburg BJ, Verhagen PJ, Cook CC. WPA Position Statement on Spirituality and Religion in Psychiatry. World Psychiatry. 2016 Feb;15(1):87-8.

Acesse aqui o texto original (inglês) publicado no site da WPA.

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Fone/Fax: +55 (21) 2199-7500)

domingo, 11 de fevereiro de 2018

O Outro Lado da Informação POR JOEL RENNÓ

O Outro Lado da Informação
POR JOEL RENNÓ

09/02/2018, 22h53   
Sob a égide do vale tudo em obras de ficção científica, a novela “O Outro Lado do Paraíso” da TV Globo vem tratando de temas  das áreas de psicologia e psiquiatria de forma extremamente superficial e inconsistente. E a cada dia se supera em mediocridade e falta de embasamento para o tratamento de assuntos complexos.

Primeiramente, apresentaram a psiquiatria atual como se ainda tivéssemos os terríveis manicômios com tratamentos desumanos e mostrando um procedimento médico como a ECT (eletroconvulsoterapia) -usado com segurança e vários cuidados anestésicos, clínicos e humanos nos dias atuais -, de forma dantesca, literalmente a seco. A ECT é um tratamento extremamente seguro, eficaz e aprovado em protocolos médicos internacionais para quadros graves de depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia. E para piorar o psiquiatra da trama agiu de forma corrupta até roubando drogas psicotrópicas do hospital onde trabalha para simular um quadro psicótico na mocinha da história e fez um laudo médico falso. Isso tudo em uma área muito estigmatizada e repleta de preconceitos e desinformações que é a área de psiquiatria.

Agora colocaram erroneamente o coaching (que eu respeito) como sendo uma técnica que poderia ajudar a diagnosticar e tratar até traumas psicológicos sérios como o do dramático abuso sexual infantil. E na trama as sessões foram realizadas por uma advogada que através da hipnose levou uma jovem às memórias de abuso por parte do padrasto. Simples assim em um passe de mágica….

No início dos anos 80, uma série de crimes chocou os EUA. Dezenas de mulheres começaram a relatar abusos sexuais sofridos na infância. Essas lembranças sempre afloravam no consultório de algum psicólogo, depois que as moças tinham passado por sessões de terapia com técnicas de hipnose e regressão. O FBI resolveu investigar o caso e descobriu que os abusos eram falsas memórias, que haviam sido acidentalmente induzidas por psicólogos durante sessões de hipnose. As memórias falsas  podem ser induzidas inclusive por profissionais da psicologia – imaginem por um coach que geralmente nem tem formação na área de psiquiatria ou psicologia.

A memória não é um registro da realidade – é uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las. Cientistas da Universidade Harvard descobriram que os mecanismos que usamos para acessar nossas memórias são os mesmos que usamos para imaginar as coisas. Uma pessoa pode ter lembranças erradas ao ler o que está gravado corretamente na sua memória.

Todos nós temos lembranças falsas ou distorcidas.  Já que a memória e a imaginação usam os mesmos mecanismos, a mente não vê problema em dar uma inventadinha para completar as lacunas.

Bizarro foi ver que as lembranças suscitadas em apenas uma ou duas sessões de hipnose nessa condição foram suficientes para levar à acusação de pedofilia contra o padrasto com denuncia imediata à Delegacia para punir o agressor.

Entendo que uma ficção científica não tenha compromisso com a realidade, mas quando uma teledramaturgia se propõe a discutir temas sociais e da área de saúde complexos uma ampla e detalhada pesquisa ou consultoria precisa ser realizada. E muitos telespectadores se baseiam nas “verdades” ditas pelas novelas que acabam implementando conhecimentos médicos sérios de forma totalmente distorcida. Aí torna-se um desserviço e muitas novelas globais, ao contrário da atual, já receberam inclusive prêmios internacionais relevantes por uma pesquisa embasada dentro de temas da área de saúde mental. Vale a reflexão e a correção dos rumos errados até aqui.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Reflexão antimanicomial

[16/12 06:19] Sharon UFSM: MINISTERIO DA SAUDE - BRASIL: REPÚDIO À PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL - REPÚDIO À PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL - https://secure.avaaz.org/po/petition/MINISTERIO_DA_SAUDE_BRASIL_REPUDIO_A_PROPOSTA_DE_ALTERACAO_DA_POLITICA_NACIONAL_DE_SAUDE_MENTAL_1/?zkFIGmb&utm_source=sharetools&utm_medium=whatsapp&utm_campaign=petition-461663-MINISTERIO_DA_SAUDE_BRASIL_REPUDIO_A_PROPOSTA_DE_ALTERACAO_DA_POLITICA_NACIONAL_DE_SAUDE_MENTAL&utm_term=kFIGmb%2Bpo

[16/12 08:39] Enf. Diego Leal: Mini guia  de sobrevivência para um amigo antimanicomialista

1 - Agrupem-se. Como dizia Freud, é preciso vencer o narcisimo das pequenas diferenças. Afinal, se você é ligado à Saúde Mental, pouco importa sua profissão, você ganha mal. Só médicos, donos de hospitais e a indústria farmacêutica ganham grana nesse ofício.

2 - Você acha que o louco não deve ser segregado. Mas tudo conspira para que se tenha medo deles. Nenhum jornal de grande circulação deu bola para o retrocesso de hoje. Mas basta um ato violento de um louco para isso ter grande circulação na mídia. Ou seja, não adianta gritar, é preciso descobrir como ser ouvido

3 - Resolveram colocar a religião nessa história, nada mais complicado que explicar os males de tentar fazer o bem. Toda droga será reprimida, é claro. E com muita porrada. Mas o consumo de drogas lícitas só fará aumentar, tudo avança para que nenhum ser humano sobreviva sem um calmante, uma ritalina ou um antidepressivo. Mas há também o alcool. Fora as blitzes que fazem a nova felicidade da arrecadação, o verão e o carnaval vem aí, vamos beber, preferencialmente cercados de loiras esculturais.

4 - Bem vindos ao mundo do cérebro. Sofrimento psíquico não existe sem entrar sódio ou sair potássio, sem mudanças nos padrões de ressonância magnética, sem marcadores genéticos. A nova onda é provar - sempre cientificamente - que a causalidade psíquica é biológica, só gente séria trabalha com isso. Todo o resto da equipe multidisciplinar serve só para cuidados paliativos.

5 - Impossível destruir a lógica de que o problema do hospital é o mal hospital. Mesmo porque as internações são necessárias e por vezes incontornáveis. Acontece que um hospital sempre será coisa de médico, ou seja, estruturado à partir de um Discurso do Mestre.

6 - Já os CAPs não são estruturas estáticas, que podem funcionar com protocolos orientados por um único discurso. O sucesso de um CAPs depende diretamente da sinergia de uma equipe multidisciplinar, isso é muito mais importante do que boa hotelaria. Acontece que para uma equipe funcionar bem, e aí Lacan tem algo a dizer, é preciso que o mestre fracasse.

7- É bom lembrar que, sim, existem pequenas clínicas privadas orientadas pelo espírito antimanicomialista e que souberam incorporar todos os avanços da lei 10.216. Portanto não se trata de caça aos hospitais ou clínicas, mas de condenação da reorientação de uma política que provou ser ineficiente

8 - O governo atual está pouco se lichando para os indignados, ouvir a indignação do outro é coisa de quem respeita o diálogo. Por isso volto ao ponto um, como do multíplo fazer Um?
.

Por Marcelo Veras

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Transtorno de Personalidade Narcisística

Cirurgião confessa ter deixado suas iniciais no fígado de pacientes. Veja mais no UOL. Acesse: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/12/13/cirurgiao-diz-ter-marcado-o-figado-de-pacientes-com-as-iniciais-de-seu-nome.htm

Essa notícia lembra muito o Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN)

É um transtorno de personalidade catalogado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV, caracterizada por:
1. sentimentos exagerados de auto-importância,
2. uma necessidade excessiva de admiração e
3. uma falta de compreensão dos sentimentos dos outros (ausência de empatia).
As pessoas afetadas muitas vezes passam muito tempo pensando em alcançar poder, ou sucesso, ou sobre preocupados com sua aparência.
Eles muitas vezes se aproveitam das pessoas ao seu redor. Quando prejudicam alguém e enfrentam uma reação da pessoa prejudicada não são capazes de enxergar a própria responsabilidade, que normalmente passa a ser atribuída a terceiros ou à própria pessoa prejudicada.
O comportamento normalmente começa na idade adulta e ocorre em uma variedade de situações.
A terapia é muitas vezes difícil, pois as pessoas com o distúrbio freqüentemente não consideram ter um problema.
Acredita-se que cerca de 1% das pessoas sejam afetadas em algum momento de sua vida.
Parece ocorrer mais frequentemente em homens do que nas mulheres e afeta mais jovens do que as pessoas mais velhas.

Alguma semelhança com alguém que você conhece?

Tome cuidado! Além de ficar no prejuízo, para piorar você vai ter que ouvir que "se alguém aqui está errado, com certeza é você".

Segundo o DSM-V, há nove critérios que indicam a presença de transtorno da personalidade narcisista num indivíduo. Bastariam a presença de 5 para um eventual diagnóstico, feito, obviamente, por profissional qualificado.

Sem banalizar eventuais diagnósticos, saber quais são e o que cada um significa pode livrar você de muita perda material e imaterial. Vale saber!

1. Noção exagerada de importância pessoal não baseada na realidade.
Uma visão inflada de si mesmo é uma das principais maneiras pelas quais narcisistas dão permissão a si mesmos para dominar e controlar os outros. Narcisistas acreditam que suas prioridades, interesses, opiniões e convicções têm mais valor e são mais importantes do que os de qualquer outra pessoa. Nem todos os narcisistas exibem ao mundo sua grandiosidade; alguns, na verdade, dão a impressão de ser muito humildes ou até mesmo tímidos para o mundo exterior, mas, quando estão em intimidade, essa característica vai dominar a convivência.

2. Preocupação com fantasias de sucesso, riqueza, poder, beleza e amor acima do normal.
Narcisistas com frequência têm uma vida repleta de fantasias e quase nunca se satisfazem com o meramente ordinário, por mais satisfatório ou maravilhoso que possa ser. Essa preocupação com a fantasia impede a personalidade narcisística de levar uma vida real e estável. Alimentam desejos de riqueza, fama, poder ou status obsessivamente.

3. Convicção de que é um indivíduo especial e único, e só pode ser comprometido com ou compreendido por pessoas especiais.
Esta ideia é parte integrante de um mecanismo de sobrevivência que os ajuda a lidar com o mundo. Com frequência, eles se definem em função do que consideram suas qualidades especiais e nos informam acerca dessas qualidades tão logo os conhecemos.

4. Intensa necessidade de admiração.
Ame-me, observa-me, preste atenção em mim. Narcisistas tendem a se engrandecer e ser sua própria referência.

5. Sentimento de merecimento.
Regras, regulamento e padrões esperados de comportamento enfurecem os narcisistas, que se julgam tão especiais a ponto de não precisar obedecer às expectativas normais nem respeitar os limites apropriados. Eles podem ficar igualmente atormentados pelo trabalho árduo, por uma doença ou uma lesão. Por outro lado, as regras que são impostas por eles aos outros devem ser sempre respeitadas.

6. Tendência a explorar os outros sem sentir culpa ou remorso.
Dependendo das outras características de sua personalidade, o narcisista pode nos induzir a fazer todo seu trabalho por ele ou, por exemplos, tirar nosso dinheiro, permitir que paguemos suas contas, receber presentes sem nunca dar, cobrar mais por serviços e pagar menos, deixar-nos esperando durante horas em uma esquina, na chuva, sem considerar que esse comportamento é desrespeitoso. Seu sentimento de merecimento transforma esses comportamentos em coisas normais, impedindo que sintam culpa ou remorso.

7. Ausência de empatia significativa.
O narcisista tem muito pouca capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Sua dor, seus problemas e seu ponto de vista dominam o universo. Talvez nada reflita mais o comportamento do narcisista do que a incapacidade de compreender e identificar-se com a experiência dos outros. Este fato é particularmente verdadeiro quando a pessoa que precisa de compreensão é alguém que o narcisista esteja explorando, ou seja, seu alvo atual (amoroso, de trabalho, familiar ou amigo).

8. Tendência a ser invejoso ou de se imaginar alvo da inveja dos outros.
O narcisista tem dificuldade em se ajustar a um mundo no qual as outras pessoas parecem ter “mais” coisas ou coisas “melhores”. Os narcisistas, com frequência, deixam de reconhecer que são invejosos e transformam o sentimento em desprezo.

9. Arrogância.
Narcisistas com frequência têm uma atitude esnobe com relação às pessoas que eles julgam não estar à altura de seu “elevado” padrão de inteligência, competência, realização, valores, moral ou estilo de vida. Acreditar que o outro é inferior os ajuda a reforçar e inflar a convicção que têm da própria superioridade. Criticar e diminuir os outros os faz se sentir bem com relação a si mesmos. Não raro, são homofóbicos, racistas, preconceituosos de todo tipo, simplesmente porque se acham superiores a um certo grupo.

Lucy Rocha, com observações da Sociedade Americana de Psiquiatria

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Empatia, de acordo com Marshall Rosemberg

Uma breve explicação para relembrar 😊 :

A empatia na comunicação não violenta consiste em buscar escutar o que está por trás das palavras, por meio de palpites empáticos, tentando identificar possíveis sentimentos e necessidades, sempre perguntando para pessoa se faz sentido. A ideia é apoiar a própria pessoa a entrar em contato com seus sentimentos e necessidades. (Sem conselhos, sugestões, opiniões...)

Palavras de Marshall Rosenberg sobre Empatia:

“Empatia é uma compreensão respeitosa do que os outros estão experienciando. Em vez de oferecer empatia, muitas vezes nós temos o impulso de dar conselhos ou concordar e explicar nosso própria posição ou sentimento. A empatia, no entanto, nos convida a esvaziar a mente e escutar os outros com todo nosso ser.

Na Comunicação Não-Violenta, não importa que palavras o outro tenha usado para se expressar, nós simplesmente escutamos suas observações, sentimentos, necessidades e pedidos. Então podemos desejar refletir de volta, parafraseando o que entendemos. Nos mantemos em empatia, permitindo ao outro a oportunidade de se expressar completamente”

“Empatia, eu diria, é presença. Pura presença em relação ao que está vivo na pessoa neste momento, não trazendo nada do passado. Quanto mais você conhece uma pessoa, mais difícil é a empatia. Quanto mais você estudou psicologia, mais difícil é a empatia. Porque você não pode trazer nenhum pensamento do passado. Se você surfa, você provavelmente é melhor em empatia, porque você construiu em seu corpo do que se trata. Estar presente e em conexão com a energia que passa através de você no presente. Não é uma compreensão mental”.

“Na empatia  muitas vezes você não fala nada. Você fala com seus olhos. Você fala com o corpo. Se você diz qualquer palavra que seja, é porque você não tem certeza que está com a pessoa. Então você pode dizer algumas palavras. Mas as palavras não são empatia. Empatia é quando a outra pessoa sente a conexão com o que está vivo em você”.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Reflexão.

A águia

A águia é a ave de maior longevidade, podendo chegar aos 70 anos. De maior envergadura de asas, pois abertas podem chegar a 86 cm de comprimento, sua visão é de 300 graus, quase o dobro do ser humano.

Com uma membrana nictante é o único ser que pode olhar direto para o sol. Na forte tempestade não se esconde nem tenta inutilmente enfrentá-la, mas voa acima dela. Fiel a uma única companheira, nunca em bandos, mas sempre sozinha e altaneira, caçadora, guerreira e corajosa, imponente, bela e preciosa no voar e no ataque.

Mas vamos ao mais fascinante: aos 40 anos suas unhas estão compridas e flexíveis e não conseguem mais segurar suas presas. Seu bico se encurva e não morde mais com força, suas asas pesadas e envelhecidas dificultam o seu voo.

Só há dois caminhos: deixar-se morrer ou renovar-se num doloroso e longo processo de 5 meses.

Ela voa para o ninho num paredão no alto da montanha, fica protegida, mas só poderá sair se novamente for capaz de voar. Lá suporta corajosamente a dor.

Ela bate o bico velho contra a pedra até arrancá-lo, espera nascer um novo bico e com ele novamente suportando a dor, arranca as velhas unhas. Novamente espera que nasçam novas unhas e com elas arranca as velhas penas.

Após 5 meses com novas asas, se lançará no voo da vitória e renovação e viverá mais 30 anos. Aos 40 anos renascerá para mais 30 anos, totalizando 70 anos.

Muitas pessoas vivem em constantes brigas e lamentos, vidas de ressentimentos e medo, sem coragem e força para o ritual da renovação do renascimento.

Destrua o bico do ressentimento, arranque as unhas da agressividade, retire as penas do medo que te impedem de voar.

A decisão é só tua! Vai viver como urubu que se alimenta do podre do passado, do que está morto, ou vai voar livre acima da tempestade, recebendo a luz do sol como a águia?

Decida pela vida, voe…

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Reflexão.

O processo de desconstrução social, é muito intenso, seja sobre o que for e em que nível for. Desconstruir racismo, preconceito, ou qualquer coisa construída socialmente, através de análises sociais ou de estatísticas, é muuuito importante.

É muito válido chegar a conclusões como o fato de sermos criadas para sermos donas de casa, mães, esposas, femininas, heterossexuais, magras, com uma estética padrão, mas é uma linha muito tênue entre ENTENDER tudo isso, e MUDAR radicalmente a sua postura sobre tudo. Compreender a raiz de nossos problemas sociais é muito importante, se desfazer de vez de posturas racistas, gordofóbicas, lesbofóbicas e preconceituosas em geral é fundamental, mas há questões mais amplas, que não englobam só um desejo por mudar individualmente, como por exemplo o auto ódio racial, a feminilidade ou a gordofobia.

É triste ver pessoas negras por exemplo, se odiarem. Odiarem seus traços, seu fenótipo, quererem se adequar esteticamente ao padrão, mas a raiz desse auto ódio é o racismo. Não basta chegar pra uma mulher negra, e dizer pra ela amar seus traços e cabelos, e que isso é "empoderador" e tals. Há toda uma questão socio/racial por trás disso. Não tem a ver só com "escolher" se amar.

É triste ver mulheres escravas da feminilidade, e compreender isso é muito importante, mas abrir mão da feminilidade por completo engloba várias outras questões sociais que atingem diretamente a vida da mulher.

É triste ver uma mulher não se amar do jeito que é, não amar seu corpo, suas curvas, ou seu cabelo. Mas não se EXIGE esse amor. Esse amor é aprendido gradativamente, aos poucos, a medida que a desconstrução acontece. Pode durar um ano, três anos ou dois meses esse processo todo entre se desconstruir social"MENTE" e tornar prática toda essa desconstrução.

Não se cobre ou se culpe. É "normal" às vezes ou sempre vc não curtir a sua aparência, ou não conseguir abrir mão totalmente de toda a contrução social feminina recebida. Não era pra ser assim, por isso existe o Feminismo.
O problema não está em você, está na sociedade, e em como as nossas crianças são socializadas. A culpa não é sua!

O problema não é individual, e vc deixar ou não de passar um batom, não muda nada socialmente. O que precisa mudar é a mente das pessoas, a forma como somos construídas  socialmente.

SE AME, MAS TAMBÉM SE ENTENDA, E LEMBREM-SE QUE É DIFÍCIL MESMO, POIS NÃO FOMOS CRIADAS PARA NOS AMAR, E SERMOS SEGURAS CONSIGO MESMAS. O MUNDO TODO LUCRA HORRORES COM A NOSSA INSEGURANÇA.
E A CULPA,
NÃO É SUA!

(I.N)

domingo, 22 de outubro de 2017

Reflexão.

NÃO ERA SOMENTE UM DESODORANTE VENCIDO

 
Bullying não é brincadeira. Bullying não é mimimi.

A chacina de Goiânia é um alerta político. Um adolescente de 14 anos, vítima frequente das ofensas de sua turma, roubou a pistola dos pais policiais militares e matou dois colegas e feriu outros quatro dentro do Colégio Goyases na manhã dessa sexta (20/10). Era uma vingança pelas humilhações suportadas em silêncio ao longo do ano letivo. Ele vinha sendo hostilizado de fedorento e chegou a receber até um desodorante como inesperado, pungente e irônico presente.

Não tem como justificar o crime, nem perdoá-lo. Mas é o momento de refletir sobre o quanto subestimamos a violência escolar. O bullying hoje está muito mais agressivo do que duas décadas atrás, pois envolve também perseguição e segregação digital. Os desaforos não terminam na escola, seguem pelo dia adentro na web. O sinal do fim da aula não interrompe o medo.

A tortura psicológica não encontra pausa, com troças infinitas pelos contatos no WhatsApp. O estudante esculhambado não vê para onde fugir, pois a sua página no Facebook também é invadida por comentários ofensivos e insinuações violentas.

Quem diz que bullying sempre existiu e que a preocupação com apelidos é uma frescura não acompanha a trolagem nas redes sociais.

Bullying é saúde mental, é saúde pública. Ao cuidar dele, preventivamente, em campanhas nas escolas, estaremos economizando lá adiante com internações e medicação nos hospitais.

Bullying não é exagero, não é drama, não é piada inofensiva, não é implicância natural.

Quantos adolescentes, sem saída para a angústia, em vez de revidar os ataques, cometem suicídio? E nunca ficamos sabendo. São engolidos pela solidão, levando consigo os segredos malditos e perversos da convivência.

O adolescente é uma bomba-relógio porque sente a vida com o dobro de intensidade dos adultos. Ele ama e odeia ao mesmo tempo, está permanentemente à flor da pele, caminhando do tudo para o nada, do nada para o tudo. Alterna extremos de alegria e de raiva em pouquíssimos minutos.

O corpo está mudando, a voz está mudando, ele não reconhece mais a si e depende da aprovação externa de seus amigos para assumir a identidade. Se não é aceito nos grupos sociais, se não é aprovado, ele se convencerá de que é um monstro, entenderá que crescer é uma metamorfose do mal.

Ele também não tem nenhuma reserva emocional: perdeu a proteção e a segurança da infância. Não caminha mais de mãos dadas com os pais, não recebe colo, não cura as discussões com abraços, não se desculpa com beijo. Não acontecerá o contato da pele para reaver os vínculos. É somente cobrado sem os prêmios do afeto e do conforto de quando era pequeno. No fundo, encontra-se sozinho pela primeira vez no mundo. Pretende se mostrar independente, porém é carente e sedento de reconhecimento.

O adolescente é órfão de suas perguntas e aflições. Tranca o quarto e chaveia o coração.

Ele merece um cuidado especial. Não se abrirá com facilidade. Não comunicará o seu sofrimento. O costume é engolir o pedido de socorro. Talvez tente emplacar uma conversa séria uma única vez, mas, se fracassar, não voltará a tocar no assunto. Mergulhará de novo para a educação fingida e respostas monossilábicas.

O adolescente não dá segunda chance para a confissão. Ou os pais e educadores permanecem atentos aos sinais ou ele irá explodir secretamente contra si ou contra todos.

A recuperação exige a confiança rarefeita do desabafo. Porque a dor, quando guardada, aumenta. Já a dor, quando partilhada, diminui - quem consegue falar descobre que a sua dor não é exclusiva e que muitos sofrem parecido.

Bullying destrói personalidades fortes, desmancha temperamentos firmes. Sua maior maldade é transformar a ferida em alegria, as privações em palhaçadas. As risadas machucam. Apanha-se de risadas. Pessoas se divertem às custas do constrangimento de alguém. De sinônimo do bem, a gargalhada é convertida em veneno.

O que nos resta a fazer é mudar o nosso entendimento de coragem. Coragem não é sofrer sozinho, é pedir ajuda.

Fabrício  Carpinejar

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Reflexão.

Ó vós, casa de Israel a quem poupei, quantas vezes vos ajuntarei como a galinha ajunta seus pintos sob as asas, se vos arrependerdes e voltardes a mim com firme propósito de coração! https://www.lds.org/scriptures/bofm/3-ne/10?verse=6&lang=por#p6

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Reflexão

Setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul. Os laços nos convocam pra pensar o suicídio e o câncer. Nos convocam pra pensar a dor de existir. Vivida como  hemorragia no psíquico ou materializada no corpo, é 
a dor de existir.
A visão destes laços nos últimos dias, reforçou em mim uma constatação dolorosa.
Em 30 anos de trabalho - na clínica, nos vários grupos psicanalíticos aos quais pertenço ou na docência - tenho concluído em companhia de queridos colegas, que nunca antes nos deparamos com tantos sujeitos vivendo um nível de sofrimento que beira o insuportável.
A depressão, o pânico, as eclosões psicossomáticas graves, as psicoses brancas, os desatinos compulsivos...esta é a clínica contemporânea. Clínica dos excessos, clínica dos vazios. São crianças, jovens e adultos sofrendo como nunca havíamos visto.

E por que os laços selaram pra mim esta conclusão que já estava sendo gestada e compartilhada nos grupos de trabalho? Porque entendo que estas formas de sofrimento são, sobretudo, o resultado de rupturas de vários laços nos campos psíquico e social. Um não existe sem o outro.
Pois o  que mantém as pulsões ligadas e impede que elas sejam vividas nas suas mais dolorosas formas de expressão? Os laços.
O que mantém o psiquismo funcionando de modo a dar ao desejo a possibilidade de respirar? Os laços.
O que mantém a produção da cultura e consequentemente evita a barbárie? Os laços.
O esgarçamento dos laços psíquicos e sociais vão criando brechas. No campo psíquico estas brechas fazem brotar o que há de mais primitivo como expressão psicopatológica. No campo social, brota a barbárie da violência e/ou da alienação.
A religação destes laços só será possível com o enfrentamento deste estado de coisas e pra isso é preciso convocar a palavra, objeto tão caro à psicanálise, pra fazer parte deste enfrentamento, na clínica e na cultura.
Nossa tarefa é promover um trabalho de sutura lá onde os tecidos se esgarçaram. É bem verdade que paralelamente a este trabalho de sutura é necessário o desligamento de velhos vícios que tiram o fôlego e também conduzem às brutalidades.
Nossa tarefa não é fácil mas é possível. Os laços amarelos, rosas e azuis precisam sair das lapelas e dos perfis e se fazerem presentes também na labuta diária.
O mundo está precisando de gente que ainda acredita na palavra e faz uso dela como instrumento de transformação.

O lobo solitário de Las Vegas é o protótipo da brutalidade das mentes B 52, estas que desprovidas de qualquer afeto de compaixão, se dedicam a exterminar os semelhantes porque a experiência humana é vivida como horror. O aumento da intolerância e da violência em escala mundial nos convoca a pensar que necessitamos da palavra e não da força.

Não cabemos todos na Dinamarca ou na Islândia.
Aqui estamos e cabe aos que se importam com algo para além do si mesmo, trabalharem pra transformar o que hoje é puro deserto em um terreno onde se possa semear o que queremos deixar como alimento para os que virão.

Ainda que estejamos nos sentindo cansados, por vezes sem forças, é preciso trabalhar diariamente e este trabalho parte exatamente daquilo que nos falta.

Lembremos de Lacan falando sobre o amor:
"Amar é dar aquilo que não se tem. Dar o que se tem é a festa, não é o amor."
Ele situa o amor no campo da falta, portanto só a partir dela podemos amar.
Contra a tentação do imobilismo travestido de inocência, é preciso usar o amor como potência criativa.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Pelos Caps 3!!

O Hospital Psiquiátrico, um dos descendentes diretos do Manicômio, reproduz a cultura do isolamento e exclusão, trata de forma reducionista a questão do adoecimento mental, eleva espantosamente os custos do cuidado, e produz estigmas maiores ainda, refletidos diretamente naqueles que necessitam do cuidado, mas o negam quando este fica sob a hegemonia de uma instituição, de um espaço naturalmente opressor e reprodutor de discriminações.
10 de Outubro traz o Dia Mundial da Saúde Mental, e nele, chamamos a atenção para a eficiência e importância de uma Rede de Atenção Psicossocial fortalecida pela gestão, trabalhadores(as) e usuarios(as) do SUS, podendo assim, ampliar as potências e resultados do Cuidado Aberto e Comunitário, trabalhar os multifatores relacionados à Saúde Mental, e produzir genuína (re)inserção social, superando o estigma historica e culturalmente imposto sobre a loucura, sofrimento e adoecimento mental. Uma Luta pelos CAPS e demais dispositivos especializados da RAPS, pelo fortalecimento da rede de Atenção Básica, pela melhoria dos cuidados em Saúde Mental na Urgência e Emergência, quando em casos extremos e por períodos curtos se fizer necessário, e pela melhor articulação do cuidados intersetoriais e territoriais! Pois nos territórios a vida acontece, com seus desafios, e também com suas resoluções. Neles residem as questões a serem cuidadas, transformadas, e usadas para a melhoria de vida das Pessoas. Nesse dia, dizemos Não à cultura manicomial. e Dizemos Sim à RAPS, por todo o território Nacional!