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Jornal do Brasil - Verônica Barrozo do Amaral
Há
6.000 anos já se fabricava cerveja na Mesopotâmia. Há 3.000 anos os
sumérios cultivavam papoulas e fabricavam ópio. Desde que existe o
álcool, existe o alcoolismo. Desde que existem drogas alteradoras do
humor, existem os dependentes químicos.
Considerada
durante milênios como fraqueza de caráter, a dependência química só foi
reconhecida como doença na década de 1960. Primeiro, a Organização
Mundial de Saúde definiu o alcoolismo como doença e logo depois estendeu
esta classificação às outras drogas que alteram o humor.
Reconhecida
como doença primária, não depende e não é consequência de outras
doenças; ao contrário, o uso abusivo de álcool ou de drogas é que causa
outras doenças. É uma doença que afeta o físico, o estado mental e as
emoções. É crônica, progressiva e de terminação fatal, o que significa
que se não for tratada causa a morte do indivíduo. Ocorre no mundo todo,
geralmente numa taxa de mais ou menos 15% da população.
Por
muito tempo o fator hereditário foi considerado o principal
desencadeador, entre outros, dessa doença, mas hoje sabe-se que álcool,
calmantes,drogas tradicionais e todas as novas drogas sintéticas que não
param de aparecer precisam somente de quantidade e tempo de uso para
que seja desenvolvida a dependência delas.
A
sociedade geralmente faz uma grande diferença entre o alcoolismo e a
dependência de outras drogas, legais e ilegais, mas a doença é a mesma,
desenvolve-se do mesmo jeito, com os mesmos prejuízos sociais,
familiares, emocionais e mentais, não importando qual o tipo de droga
usada (sim, álcool é droga também). As poucas diferenças ocorrem na
velocidade que a droga leva para causar prejuízos físicos e mentais,
sendo que com o tempo todos os sistemas são afetados, assim como as
relações familiares, sociais e de trabalho.
Mas,
como é que decidiram então ser o consumo de drogas uma doença?
Certamente não é só o médico ou o terapeuta olhar para o indivíduo e,
pelo seu jeitão, concluir que é um dependente. Há critérios para o
diagnóstico. É a ocorrência de pelo menos três destes sintomas, nos
últimos doze meses, que determina se alguém sofre de dependência química
ou não. Estes são os critérios listados pela Classificação
Internacional de Doenças (CID), e valem eles para todo mundo, no mundo
inteiro.
1. Um desejo forte ou senso de compulsão para consumir a droga.
2. Dificuldades em controlar o consumo da droga em termos de quando vai começar, quando vai terminar e de quanto vai usar.
3. Desejo persistente ou tentativa fracassada de diminuir o uso.
4.
Tolerância: é a necessidade que a pessoa experimenta de aumentar cada
vez mais a quantidade de drogas para obter o mesmo efeito.
5.
Crise de abstinência: ocorre quando o uso é suspenso, ocorrendo então
sintomas como tremor, ansiedade, irritabilidade e insônia.
6.
Abandono progressivo de outras atividades. A pessoa passa a gastar boa
parte do seu tempo na busca e no consumo das drogas e também para se
recuperar de seus efeitos.
7. Apesar dos claros prejuízos físicos e psicológicos decorrentes do uso da droga, a pessoa persiste no uso.
Assim
como a doença causada pelo abuso de drogas é a mesma, não importando
qual a droga usada, o tratamento também segue o mesmo caminho. Existem
alguns tipos de tratamentos, sendo o que utiliza uma grande quantidade
de informação sobre a doença e sobre os efeitos emocionais da perda de
controle do uso aliada a uma radical mudança de comportamento é o que
mais alcança sucesso. Seja um dependente de álcool, de calmantes ou de
crack, todos vão necessitar de abstinência, conscientização da doença e
mudança de estilo de vida. A ajuda e o tratamento da família, que também
é afetada, é muito importante para que se consiga alcançar sucesso.
Verônica Barrozo do Amaral é terapeuta e conselheira em dependência
química na clínica Solar Day Care, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio
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