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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Fwd: O “estar junto” e a sensação de pertencimento
De: "Lingia Araujo" <psicologalingiaaraujo@gmail.com>
Data: 13/01/2016 17:51
Assunto: O "estar junto" e a sensação de pertencimento
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O "estar junto" e a sensação de pertencimento
♫♪Românticos são poucos, românticos são loucos desvairados. Que querem ser o outro, que pensam que o outro é o paraíso. Românticos são lindos, românticos são limpos e pirados, que choram com baladas, que amam sem vergonha e sem juízo...já dizia Vander Lee. ♫♪
Mesmo com a correria do dia-a-dia, com a imediatismo das tarefas, com as urgências do trabalho, com a liquidez de alguns afetos, o desejo de "estar junto" tem seu valor, que favorece aos apaixonados e apaixonadas a maravilhosa sensação de pertencimento.
Talvez seja esse o seu grande segredo que perdura décadas e décadas sem perder o charme e estimação. Afinal, são duas almas que repousam juntas no mesmo espaço físico, hora, lugar e porque não do sentimento?
Penso que nos dias atuais possa ser mais difícil esse encontro acontecer, pois o imediatismo das relações aumenta a cada dia, talvez a praticidade e rapidez diminua essa sensibilidade, afinal até os encontros são marcados por aplicativos, os flertes e troca de olhares são emoctions de mensagens, são expressões reproduzidas e poucas vezes sentidas. Nada contra esses aplicativos, acredito que para algumas pessoas até sejam o "ponta pé" inicial para aproximar se do outro, desde que a conversa evolua para o verdadeiro encontro.
Acredito que a banalidade de alguns afetos e atitudes tiraram a sensibilidade do relacionar-se com o outro e assim, vive-se mais a utopia de sensações vazias ao preenchimento de emoções valorativas.
E para estar junto é necessário sentir... sentir com a pele, com o coração, com a alma. Estar junto é entrega, é permissão, é troca de afeto, de cheiro, de pele, é INTIMIDADE!
Essa sensação de pertencer se a algo ou a alguém é saudável, mas NÃO A CONFUNDA COM DEPENDÊNCIA, pois são duas coisas completamente diferentes. Com o desenvolvimento, o ser humano tende a diminuir essa dependência de algo externo, pois sua consciência livre e amadurecida tenderá a buscar dentro de si mesmo, esse pertencer.
E acredite, se essa transição não ocorrer ,a pessoa fica passível de sofrer vários tipo de manipulações do meio em que convive. Como?
Bom, alguns adoecem para dar conta, outros vivem insatisfeitos consigo mesmo e com os outros, ficam submissos à vontade externa, se abandonam ou na maioria das vezes cria essa tal dependência tóxica e sufocante com as pessoas nas quais se relacionam, até que as mesmas se cansem e pulem fora.
E aí, o ciclo continua com uma outra pessoa, até que um dia essa pessoa resolva por si mesma, reconhecer a capacidade intrínseca de pertencer a si mesma. Assim, ela conseguirá vivenciar esses momentos de estar com o outro e não ser com o outro, afinal, como sempre digo, sendo inteiros somamos muito mais do que sendo metades.
→ Obs: O material deste texto é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia oferecida por um psicólogo.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Fwd: Então é Natal...
De: "Lingia Araujo" <psicologalingiaaraujo@gmail.com>
Data: 22/12/2015 13:49
Assunto: Então é Natal...
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Carta Aberta - Dr. Edmar Oliveira
Li com atenção a vossa nota de esclarecimento sobre a mudança da Coordenação de Saúde Mental pelo atual Ministro da Saúde. Proclama que os senhores comungam com a lei 10.216, que declaram está contida nas vossas Diretrizes para um Modelo de Atenção Integral em Saúde Mental no Brasil. Mas antes de comungar é preciso confessar. E na vossa confissão fica absolutamente claro que vocês abominam o que festejamos como Reforma Psiquiátrica.
Notaram como na vossa nota não consta o vocábulo tão odiado? Porque vocês até admitem reformar a assistência à saúde mental. Admitem reformar o antigo e indefensável manicômio para que ele fique mais palatável. Suportam até a existência dos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS (só que próximos ou dentro do ambiente hospitalar, o que já não é uma proposta comunitária). Mas não admitem uma reforma da psiquiatria. Aqui está o ponto.
Nós, da Reforma Psiquiátrica, entendemos que o que está em xeque é a própria psiquiatria. A soberba de um saber que se acha "científico" e despreza outros saberes sobre a loucura – um fenômeno complexo para ficar refém do saber médico. A captura da loucura pelo saber médico foi muito bem estudada por Foucault, de quem vocês ouviram falar, alguns não leram e outros têm raiva de quem leu. Ele defende apenas um saber que, como o vosso, não tem o toque mágico da cientificidade e precisa do embate democrático e do convencimento argumentativo para se estabelecer. Vocês acham que uma Classificação Internacional de Doenças Psiquiátricas (CID Psiquiátrico) que se modifica ao longo dos tempos pelos costumes sociais é científica? A Psiquiatria sempre habitou o campo da moral e bons costumes. Muito de vós não lembram a malfadada Liga Brasileira de Higiene e Saúde Mental com sua proposta eugênica de explícito componente fascista? Era em nome do "cientificismo". Mas foi em nome da razão que a psiquiatria encarcerou os loucos. E a razão de uma época nunca é científica. Machado de Assis mostrou isso muito bem quando o nosso hospício ainda era recente, no fim do século XIX.
Para nós da Reforma – e não importa que vocês não queiram entender – só uma democratização do saber psiquiátrico, de suas complexas relações, pode ajudar o campo da Saúde Mental. E assim ele pode e pode muito. Em nome da Saúde e não da Doença, outros profissionais de vários campos de saberes, os pacientes e seus familiares são protagonistas de uma nova e excepcional forma de cuidado na comunidade em oposição ao modelo fechado do manicômio. A Reforma é a negação do manicômio, não a sua reabilitação com novas tintas. O campo biológico e moderno das neurociências é indispensável para nós, como complementar, sem, necessariamente, exercer a hegemonia.
Sinceramente não entendi as mortes de que somos acusados nem a desassistência de vossos números. Temos problemas e lutamos para superá-los. Logo vocês que nunca enxergaram as mortes, estas sim produzidas pela desassistência do manicômio e fartamente documentadas. Não foi a nossa ideologia a responsável pelas mortes, mas a vossa.
A Reforma Psiquiátrica, que temos o orgulho de ter feito e seguiremos construindo, buscou os direitos das pessoas com transtornos mentais no campo dos Direitos Humanos; propôs uma ética inclusiva à sociedade em relação à loucura; e está construindo uma Rede de Serviços Substitutivos Comunitários em oposição ao Manicômio. É uma proposta ideológica sim. Como a vossa também é. Só que a vossa é negada e encoberta por um manto de "cientificismo" como foi a proposta eugênica que nos levou a verdadeiros campos de concentração no passado.
A roda da história não gira de modo contínuo, às vezes para, às vezes recua, mas volta a seguir em frente. Entendemos como retrocesso esse momento de júbilo com que vocês recebem a nova Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Repararam que vocês falaram apenas em nome dos psiquiatras e dos familiares? Sintoma, meus caros, sintoma!
A Reforma Psiquiatra coloca o paciente como protagonista e não como objeto de nossa ação. Por isso temos a certeza que na história vós sois o passado, nós apontamos o futuro fazendo o presente.
Saudações antimanicomiais,
Edmar Oliveira – médico psiquiatra aposentado do Ministério da Saúde, 40 anos de prática clínica, gestão pública e militante da Reforma Psiquiátrica. Não é filiado à ABP por discordância de uma prática corporativa mesquinha.
Enviado do meu Samsung Mobile da Claro

